sexta-feira, 21 de setembro de 2012

É preciso esquecer de todas as lágrimas que já caíram, é preciso acreditar que viver é sempre a melhor saída. A dúvida maltrata nossos corações e nos impede de viver grandes sonhos e talvez obter grandes conquistas. Esqueça tudo o que falhou, olhe para frente. Continue. As alegrias mais sinceras só vem depois das dores mais fortes. E dói, dói pra todo mundo.
Não tenha medo, vai na fé.
Olhe o sol, é tudo lindo, é tudo possível, é tudo teu.
Acredite, dias melhores virão.



segunda-feira, 17 de setembro de 2012


A minha sorte

Ontem antes de dormir joguei minha sorte pela janela, dei um suspiro e disse bem alto “Vai!”,  e ela foi. Deitei na cama e rezei baixinho “Deus cuida dela, vai com ela. Faz alguém achar, faz alguém cuidar, faz alguém se importar”. Depois disso não tive mais notícias, o coração na mão, o pensamento longe, e meu corpo agitado não conseguiu dormir. Acordei passando mal, dor de cabeça, tontura, fome, cansaço, medo. Esse último é o que doía mais. Será que ela voltaria? E se voltasse, seria sozinha? Não sabia, então preferi não levantar da cama. Talvez por volta de meio dia a sorte estivesse ali, pronta pra ser minha companheira na hora do almoço. Sei que quando eu a joguei da janela, das duas uma: ou voltava pra mim, ou alguém tinha achado. Então pensei, será mesmo minha esta sorte, ou será ela a sorte de alguém?
Levantei para almoçar, nada dela. Nem email, nem carta, telefonema então? Nem pensar.     
Notícia ruim chega rápido eu disse pra mim mesma, então fui tomar um banho. Eu não estava me sentindo bem, mas precisei ir na rua resolver uns assuntos. Até que lá pelas 17h eu avistei uma sorveteria do outro lado da rua, e tive que ir até lá. Dentre o trânsito caótico desse horário, eu tentando atravessar a rua na faixa de pedestres lotada de gente com pressa, senti algo batendo em meu rosto. Não deu tempo nem de piscar. Parei no meio da rua, abaixei e peguei. Era ela. Voltou pra mim. Ela estava triste, eu também. Guardei na bolsa e fui comprar meu sorvete.

Eu ainda sorri, conversei com pessoas, consegui dizer “obrigado”. Disse até “por favor”, segui em frente. Cheguei em casa, sentei-me no sofá e tirei ela da bolsa. Ela chorava, doía. Dava pra ver que doía. Eu disse que não queria saber, já sabia demais. O que eu sei é que hoje ninguém encontrou a minha sorte, ou talvez ninguém encontrou a própria sorte. Fiquei calada por um tempo.
Até que ela me disse baixinho: Deixa eu descansar um pouco, e depois me solta de novo. Eu sorri e respondi: não. Hoje você vai dormir comigo. Eu, você e essa dor. Eu, você e tudo o que você viu, e procurou. Você e eu. Só.
Impossível não ficar triste, a tristeza taí o tempo todo na vida da gente. Tá no leite que a gente derruba de manhã na roupa nova, tá no trânsito que te faz atrasar no primeiro dia de trabalho, tá no chefe mal educado que faz uma grosseria com você, tá na amiga que briga com o namorado e desconta em você, tá no telefonema não atendido, nos planos fracassados, na calça jeans que não te serve mais. E a gente chora, e rói as unhas, e come um barra de chocolate, e chora de novo. A gente quer sumir, quer viajar, quer mudar o número do celular, quer engolir certas palavras e voltar no tempo, quer enfiar a mão dentro do coração e arrancar tudo o que está lá mas não devia. As pessoas vivem dizendo (inclusive eu), que a vida ta ai pra ser vivida, que devemos arriscar, etc. Eu sempre falo isso, mas hoje sei que quando falo isso podem apostar que estou tão de bom humor que devo esquecer o quanto dói quando as coisas não são como a gente quer. Quem não joga não ganha, ok. Mas também não perde nada.
Talvez daqui uns dias eu jogue minha sorte por ai de novo, hoje não. Hoje ela é minha. Hoje tá doendo. 

domingo, 2 de setembro de 2012

As mulheres de hoje em dia

Vira e mexe eu tô em algum lugar e escuto alguém falando “As mulheres de hoje em dia...” e depois disso as palavras se repetem como se a humanidade tivesse ensaiado o que dizer. Você já deve saber o que eu vou fazer agora né? Defender, é claro. 
Primeiramente acredito que generalizar é o maior erro que as pessoas cometem, ninguém é igual a ninguém. Nenhuma situação é igual, o tempo não é o mesmo, momentos não voltam e também não se repetem. Por isso incluir o “s” e dizer mulheres, é errado e ponto final. Lembre-se que sua mãe, sua avó e sua irmã mais nova são mulheres, então se você generaliza as coisas também está incluindo suas princesinhas nessa lista de devassidão. Alguém lá atrás na história resolveu espalhar ideias de que algumas coisas eram certas e outras não. Depois disso gerações foram criadas acreditando em coisas certas e erradas. Eis que surge a modernidade. Apareceram revolucionárias, mães solteiras, mulheres querendo estudar, trabalhar, beber cerveja. Mulheres entraram na política, agora elas dirigem caminhões, viajam pelo mundo, criam filhos, trabalham de madrugada, sustentam a casa e não casam mais virgens. O quê? É, os tempos mudaram. 
Isso é certo? É errado? Quem é que vai saber? Quem é louco de julgar? 
Pensando bem, tem muitos loucos por ai. 
Antigamente as mulheres eram escravas do pesamento dos seus pais, depois escravas dos seus maridos, sem voz ativa, sem vontades, sem desejos. Hoje em dia elas simplesmente vivem. Elas gritam com os pais desde crianças, desobedecem, acham que estão certas, crescem, escolhem o que querem estudar, amam e casam por amor. Discordam do marido, largam do marido, trocam de marido. Se tornam mães sozinhas, sentam no bar, trocam a lâmpada e ainda lavam, passam e cozinham. Quanta habilidade. 
Elas moram sozinhas, vão pra balada, se apaixonam, não se apaixonam, elas gritam, elas tem voz, elas tem direitos, elas estão vivas. VIVAS! E você não pode julgá-las, elas são assim, vítimas das próprias vontades. Elas lutam, elas correm atrás, elas vão em frente, pulam do abismo, se entregam, se jogam, arriscam. 

Cada um com a sua vida, cada um cuidando e pagando o preço de suas escolhas. Tinha que ser assim. Tinha, mas não é. Tem sempre alguém pra apontar o dedo, alguém pra dizer “Me falaram que você...”, alguém que não assume o que sente, alguém que critica, que expõe, que te joga lá em baixo e não te ajuda a levantar. A gente devia se amar mais, se cuidar, ajudar um ao outro. Deixar cair pra que o outro aprenda, estender a mão pra que ele se levante. Ajudar. Olhar o erro do outro e parabenizá-lo, sim parabenizá-lo. Sabe porque? Porque era muito mais cômodo ficar sentado no sofá vendo novela e deixar a vida acontecer. Querer, mas querer só um pouco. Porque quando a gente quer muito fica inevitável tomar uma atitude. 
Fica inevitável ir atrás, perseguir o sonho. Por isso hoje em dia as pessoas querem pouco, pra poder ficar “esperando acontecer”. Balela. Quando o outro erra eu aplaudo, eu abraço, eu me orgulho. É sinal de que ele foi lá e fez, não deu certo e pronto. Acabou. Agora sim, pode sentar no sofá e ver a novela. Sua parte já foi feita. 

A mulherada tá badalando sim, bebendo, beijando, fazendo tudo que os homens sempre fizeram. Errado não, justo. A gente tá tentando ser feliz, só isso. É claro que você pode discordar da atitude de uma ou outra, mas tudo bem. A vida é dela, segue a sua e faz o que você achar certo. Ou melhor, faz o que te faz feliz. Vamos deixar o certo e o errado para as provas de vestibular. Vamos parar de apontar o dedo para as pessoas, parar de julgar, parar de se intrometer no que não pediram nossa opinião. Se alguém disser “Fulana tá grávida”, ao invés de você ficar resmungando pra si mesmo “Tão nova e mãe solteira, coitada”. Pega o telefone, liga pra ela, tenta ajudar em alguma coisa. Mostra pra ela o lado bom, não fica falando do que ela perdeu, do que os outros estão pensando dela. Ela já pensa demais em tudo isso. Hoje é ela, amanhã pode ser você. Quem é que vai saber? Vamos parar de fazer tempestade em copo d’água. Vamos simplificar. Vamos deixar a mulherada pirar, dançar, se divertir. É isso que todo mundo quer, diversão. 
Tenha em mente que não são todas que saem por ai fazendo sexo sem sentimento, algumas ainda se importam. Não são todas que pensam que todo homem é cafageste, algumas ainda tem esperança. Não são todas que só se interessam pelo seu cartão de crédito, algumas ainda amam. Mas nenhuma delas está errada. As vezes a vida já deu razões suficientes pra que algumas mulheres façam sexo sem compromisso, pensem que todos são cafagestes e se importem com o seu dinheiro. A gente não sabe. Não sabemos de nada. Essa imensidão de vida, de cores, de coisas, de mundo, de sentimentos que nos é dada quando nascemos a cada dia torna-se uma nova razão dentro de nós. Hoje eu faço isso, amanhã talvez eu não faça mais. Somos humanos, mulheres e homens. Tentando coisas novas a cada dia, sentindo a alegria de dar certo e a decepção do que da errado. E é assim pra todo mundo. Então quando você ouvir alguém dizendo que “as mulheres de hoje em dia...” não dê ouvidos. A gente só quer ser feliz e mais nada.