Aquela dorzinha
A verdade é que todo mundo carrega uma dor, e a minha não é só por ser sexta-feira e estar chovendo, é mais... é muito mais. Acho que vem de anos atrás, lá por volta de quando eu nasci, ou lá por volta da hora que eu vi que nem tudo na vida seria fácil e bonito.
Acontece uma coisa triste e a gente chora, acontece uma coisa desagradável e a gente diminui 70% do sorriso, as vezes a gente tira ele do rosto e guarda na bolsa “Fica pra outra hora.”
É assim com todo mundo. Briga com a mãe, tira nota baixa na prova, perde o ônibus, é assaltada, sua amiga beija o menino que você gosta, torce o pé, etc... E depois disso você quer um bom edredom quente e um travesseiro que em vinte minutos ficará encharcado de lágrimas.
Ai sempre vai ter um bom amigo pra dizer “Você tem uma casa, tem uma família, tem amigos, tem duas pernas e dois braços, pare de reclamar da vida”.
Nesse momento seu status passa de triste para: triste e com raiva.
Tudo bem, tem gente que não tem teto, não tem o que comer, não tem os movimentos das pernas, não tem visão... Tá certo, obrigada meu Deus por tudo.
Mas e aquela nossa dorzinha? Essa que cutuca todo dia antes de dormir. Parece saudade, parece sufoco, parece sem nome. Sempre vai faltar alguma coisa, um buraco na alma, algo sem preço, algo que ficou pra trás...
E de repente no meio da tarde você quer chorar. “Você não tem motivo” as pessoas vão dizer.
Seu melhor amigo vai gritar no seu ouvido “Para de chorar, você tem tudo e fica ai reclamando”.
Posso falar? responda assim: Tenho tudo, por isso choro. Sentimentos estão inclusos nesse “tudo” que você diz que eu tenho.
Hoje eu chorei hoje na fila do banco, sem vergonha, chorei de soluçar. Todo mundo me olhava pensando “Ih, tá grávida”, “Ih, brigou com o namorado” , “Ih, tá devendo o banco” e eu chorava pensando “Ih, que se f*#@ a coisa toda”.
Tem horas que a gente cai na real, e vê que a “real” não é exatamente o que a gente queria. É complicado! Então de repente uma mulher veio me perguntar porque eu tava chorando, ai eu disse: meu avô morreu. Não queria matar meu avô, até porque nem posso. Ele já morreu, meus dois avôs. Tudo bem que eles morreram há anos, eu nem conheci um e o outro eu era bem pequena quando ele morreu, mas às vezes eu só resolvi chorar agora. As vezes só foi doer agora. As vezes essa mulher tem mais é que cuidar da vida dela. Explicar a verdade pra mulher ia ser mais complicado. Calei-me. Limpei o rosto, esperei minha vez, paguei o cartão de crédito e a vida seguiu...
Tem horas que a dorzinha cutuca forte, ai não tem como segurar o choro. E eu choro, choro muito, nasci chorando né? Esqueceram de me ensinar a hora de parar.
O que eu sei, é que apesar de ter tudo, casa, comida e roupa lavada, eu carrego dores em mim. Dores por eu ser exatamente do jeito que sou, por esperar coisas das pessoas e por sempre, sempre, sempre me decepcionar.
Todo mundo tem sua dorzinha escondida, ou até bem escancarada lá dentro de nós. Meu grande problema é que ela dói mais em dias de chuva. E o verão tá ai né? E chove sem parar. Dá licença, to indo na rua comprar uns lencinhos.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
Meus filhos
Outro dia minha mãe me perguntou se eu quero casar e ter filhos, sim eu quero. E quero que sejam bem desobedientes. Ela riu, mas acho que não entendeu o que eu quis dizer. É claro que minha preocupação vai ser o dobro da preocupação de quem tiver aqueles filhos que abaixam a cabeça pra tudo, mas não me importo. Eu quero ser questionada do porque de minhas decisões, do porque eu digo sim pra uma coisa e não pra outra. Eu quero que eles demonstrem suas vontades, que eles fiquem bravos comigo, que eles gritem, que eles tentem me convencer, que eles errem e lá na frente que eles compreendam que eu eduquei eles pra vida e não pra mim. O mundo é muito mais difícil da porta da sala pra fora. Tem gente que não gosta de você, gente que tem inveja, gente que é egoísta, gente ruim. Tá cheio de gente ruim aí fora. E principalmente eu quero que meus filhos saibam distinguir, que eles saibam separar o que vale a pena do que é irrelevante. Quero que eles amem intensamente, que corram atrás do que fizer eles felizes, que eles sonhem. Mas que acordem na hora que perceberem que a vida chama por eles. Quero que eles mergulhem bem fundo nas suas decisões, que expressem seus sentimentos e que tenham acima de tudo força. Força para superar os dias ruins, força para perceberem que apesar de todos os apesares a vida sempre vai valer a pena.
Outro dia minha mãe me perguntou se eu quero casar e ter filhos, sim eu quero. E quero que sejam bem desobedientes. Ela riu, mas acho que não entendeu o que eu quis dizer. É claro que minha preocupação vai ser o dobro da preocupação de quem tiver aqueles filhos que abaixam a cabeça pra tudo, mas não me importo. Eu quero ser questionada do porque de minhas decisões, do porque eu digo sim pra uma coisa e não pra outra. Eu quero que eles demonstrem suas vontades, que eles fiquem bravos comigo, que eles gritem, que eles tentem me convencer, que eles errem e lá na frente que eles compreendam que eu eduquei eles pra vida e não pra mim. O mundo é muito mais difícil da porta da sala pra fora. Tem gente que não gosta de você, gente que tem inveja, gente que é egoísta, gente ruim. Tá cheio de gente ruim aí fora. E principalmente eu quero que meus filhos saibam distinguir, que eles saibam separar o que vale a pena do que é irrelevante. Quero que eles amem intensamente, que corram atrás do que fizer eles felizes, que eles sonhem. Mas que acordem na hora que perceberem que a vida chama por eles. Quero que eles mergulhem bem fundo nas suas decisões, que expressem seus sentimentos e que tenham acima de tudo força. Força para superar os dias ruins, força para perceberem que apesar de todos os apesares a vida sempre vai valer a pena.
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